Conselhos que se vendem na Internet

Uma navegada trivial pelos feeds das mídias sociais, em especial o Instagram e certamente seremos apresentados a métodos vencedores de investir, tocar guitarra, cozinhar, virar DJ, falar em publico, aprender a cuidar da saúde, dos pets, exercitar a calistenia, falar qualquer idioma em poucos meses ou criar os filhos.

Uma mistura de EAD, auto-ajuda e coaching de tudo

Os macrotemas ligados à carreira, relacionamento, estilo de vida e bem-estar existem aos milhares. São os infoprodutos.

Basta saber sobre um determinado assunto e transformar em apostilas, videos, webinars, master classes, screencasts, podcatsts, audiobooks ou kits de tudo isso.

Evidentemente, é preciso lançar o produto informacional, hospedar o conteúdo, fazer marketing nas redes sociais, viabilizar os meios de pagamento e distribui-lo aos consumidores.

O modelo basicamente é simples

Você paga e tem acesso imediato ao material de instrução disponibilizado. Tudo absolutamente digital, sem espera, frete, estoque e amplamente escalável tendo em vista o formato do que se vende. Criou, lançou, vende-se as copias replicáveis. São conteúdos voltados para ensinar sobre algum assunto mais específico, ajudar na solução de determinados problemas, dores ou tarefas.

Não apenas já existem empresas especializadas no lançamento e gestão de produtos nesse mercado, como a Hotmart, Monetize, Qualifica e Eduzz, bem como já existem infoprodutos dedicados a ensinar as pessoas a lançar… infoprodutos! O modelo de marketing de afiliados, amplamente adotado nesse ambiente, abre espaço para vendas comissionadas, modelo que lembra as consultoras de beleza da Natura, Avon ou Jequiti. Contudo, é no fundo marketing digital na veia. Muitas vezes começa a prospecção de clientes potenciais chamados de leads que visitam o site, o blog ou perfil na rede social. Chama-se a atenção dele, busca-se por meio de um formulário seu contato e pronto! Um evolução das newsletters. Mas os afiliados comissionados podem ganhar por cliques em banners, leads geradas e vendas efetivadas, por exemplo.

Para isso vale compra de tráfego, midia programática e estratégias SEO – Search Engine Optimization.

Talvez a maior referência no país em lançamentos de produtos digitais seja o empreendedor Erico Rocha, idealizador da fórmula de lançamento “6 em 7”, ou seja, faturar 6 dígitos em apenas 7 dias de venda. Entre várias coisas que Erico ensina é que o produto, a venda e entrega são os três elementos básicos para qualquer lançamento. Para isso, uma lista ou audiência (base), o lançamento em si e entregar mais do que prometeu são fundamentais.

Entretanto, tenho observado que há pessoas que se apresentam como autoridades em qualquer coisa. Geram seus infoprodutos sobre temas de outros infoprodutos que sequer terminaram de consumir como em um modelo de telefone sem fio que vai deixando a correta informação pelo caminho. Por isso, é preciso estar mais uma vez atento aos impostores. Os vendedores de geladeiras para esquimós agora contam com ferramentas poderosas para escalonamento das picaretagens.

O mercado de investimentos em Bolsa de Valores é um bom exemplo

Tendo em vista a explosão de pessoas físicas na posição de traders, facilitadas por baixos juros e pouco retornos dos fundos mais aplicações indutivas de home broker, teses são oferecidas aos montes.

Muitos desses personagens se apresentam como influencers digitais no Twitter na comunidade Fintwit, que existe fora do país, mas que por aqui tem uma relevância imensa. Debates acalorados, memes e muita, muita tensão com as mudanças de humor dos mercados são rotina.

Um modelo de infoproduto explorado por essa turma é área de membros, uma espécie de clube restrito e que obviamente gera recorrência mensal dos “infoconsumidores.” Estratégias de ações, cursos, tudo em um ambiente único, simples e facilmente acessado.

Personalidades no digital mais ousadas fazem da própria sensualidade um produto digital sugerindo em fotos provocantes nas redes sociais, porém, revelando nudes e performances mais picantes ao vivo em ambientes pagos, a exemplo do serviço OnlyFans. Em que pese não seja um Information Product que vise a transmissão de algum conhecimento específico, segue modelos de marketing igualmente bem-sucedidos.

Em épocas de um distanciamento social maior do que esperado e home office, a produção e o consumo de conteúdo e informação produtada explodiram e nada indica uma reversão. Transmissão de conhecimento é algo formidável e necessário que a internet proporciona e não há nada de errado em monetizar isso.

Alias, como vovó já dizia se conselho fosse bom não se dava, se vendia. A sabedoria popular encontrou forma e meios para se consolidar.

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