O social vai às compras, as compras fazem um social, investem em conteúdo e viram banco

O encontro do comercio eletrônico com as mídias sociais foi amor à primeira vista. De fato, nasceram um para o outro. Um amiga saudita me disse há 5 anos que em seu país (que àquela época mulheres não podiam ter habilitação de motorista) a mais importante midia social era o Instagram. Isso porque ela em sua conta privada mostrava às amigas e parentes peça de roupas e acessórios que vendia.

Assim também ela comprava. O Social Commerce digital surge imediatamente com as próprias mídias sociais. As plataformas de comercio eletrônico, por sua vez, adotaram de pronto anúncios direcionados para os usuários das redes sociais e o links das vendas para os vendedores compartilharem em suas contas sociais. Um espécie de mercado persa, classificados de jornais e venda boca-a-boca à enésima potência que permitiu a aproximação de consumidores e fornecedores.

Com isso, comunidades nascem ou giram em torno de marcas que investem em publicidade, engajamento e imagem reputacional. Logo os consumidores percebem que abordar problema ou defeitos com produtos e serviços nos perfis das empresas nas redes pode ser mais eficaz que nos canais de atendimento tradicionais. Alguns consumidores mais comunicativos se tornaram influencers ou mesmo embaixadores de marcas e passaram a viver (e bem) dessa atividade que vai de brinquedos, beleza, viagens à alta costura.

A indústria de comércio social dos EUA deve trazer US$ 23,26 bilhões em vendas em 2020 e US$ 53,94 bilhões em 2024, por estimativa do eMarketer.

O Facebook, por exemplo, está permitindo que mais comerciantes deixem os clientes fazer compras sem sair da Instagram. Criou ainda o Facebook Shop e o Instagram Shop, para os consumidores navegarem e fazerem compras, dando aos consumidores uma série de ferramentas de compras em um único local. Lojas ganham um botão de mensagens para que os consumidores possam se comunicar com os vendedores através da Instagram, Messenger e WhatsApp.

O ponto de inflexão está na venda direta diretamente dentro de plataformas de mídia social, que difere do marketing nas mídias sócias que buscava conduzir consumidores ao site do vendedor.

O Facebook impulsiona a maioria das referências sociais a sites de comércio eletrônico, mas Instagram e Pinterest são as plataformas mais contextualmente relevantes para o comércio social. O Snapchat e o Twitter também são referências, mas não têm a mesma escala e foco. Em termos de experiência o superapp chinês WeChat já percorreu esse caminho e foi além. São inúmeras as possibilidades do superaplicativo que permite compras coletivas, viagens, comida, transporte e transferências em dinheiro.

Mas grandes grupos de comercio eletrônico a varejistas parecem já perceber que podem faz um caminho inverso. A Amazon que é umas das techs mais diversificadas do mundo investe em conteúdos e no Twich, rede de gamers que a cada dia engloba outros interesses.

Walmart que sofre diretamente com o poderio da Amazon anunciou que está avaliando a plataforma chinesa TikTok que passou a ser cogitada a venda após o Presidente americano Trump trabalhar para bani-la do país. Conectar-se com um público mais jovem é vital para a perspectiva de longo prazo do Walmart, especialmente à medida que mais gerações digitalmente nativas entram em seus anos principais de consumo”, disse o analista do UBS Michael Lasser. Para ele, “as linhas entre as compras tradicionais, as compras digitais e as redes sociais estão se tornando menos evidentes. O Walmart precisa de mais exposição à essa tendência”.1

Por aqui, Maganize Luiza anunciou as aquisições de do Canaltech e o braço de publicidade online da InLoco. Ou seja, dados e o impulsionamento de publicidade programática estão no radar da varejista nacional que usará sua rede para ampliar produtos e serviços financeiros mirando no PIX. Da chinesa Alibaba, a Magalu trouxe a ideia de promover lives com seus lojistas sobre parceiros, modelo ecommerce content que a Rappi também adotou.

Afinal, social sem conteúdo não agrega muito valor. Com Rappi Games, Rappi Live Events e Rappi Live Shopping passou a entregar entretenimento e diversão mesmo em tempos de quarentena e isolamento social, como transmissões ao vivo, compras em lives e jogos. Em pouco tempo o Rappi Entertainment atingiu quase 1 de milhão usuários na América Latina, dos quais em torno de 145 mil no Brasil e deve se jogar no o serviço de music streaming também. O Mercado Livre, grupo argentino com forte atuação no Brasil já a empresa mais valiosa da América Latina com crescimento monstruoso durante a pandemia. Já é meio de pagamento é caminha para se tornar instituição de crédito. Não deve demorar para o ML olhar para conteúdos e o social. Do casamento entre os mundos da social, conteúdo, comercio e finanças, gigantes se tornarão ainda maiores. Pelo jeito, a Amazon fez escola

1 https://www.uol.com.br/tilt/noticias/reuters/2020/08/29/todos-querem-o-tiktok-nos-eua-agora-walmart-faz-aposta-contra-microsoft.htm

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